Escrevo essa carta, que talvez você nunca vá ler, porque eu tenho tanto para ser dito, mas não posso te obrigar a ouvir.
Mas é que hoje, de novo e de novo, me pego pensando em você, e não posso evitar de pensar em como as coisas poderiam ser diferentes.
Acho que apressamos tudo, nos sentíamos sensíveis e inseguros, cada um ao seu modo, e ao que estava prestes a vivenciar.
Uma fase importante da minha vida termina, e na sua, estava prestes a começar.
Acho que corremos porque sabíamos que tinha algo importante acontecendo ali e temíamos perder.
Na sua frente, um mundo, totalmente novo, e decidir enfrentá-lo e vivê-lo significou se afastar de mim, mas aquela que se afastou não voltou mais. Tudo ficou diferente. O mundo já não era mais o mesmo, as coisas que ficaram para trás já não era mais tão importantes, e a liberdade, e o desapego se tornaram valiosas demais para serem questionadas.
Talvez por culpa, você se afastou.
Enquanto eu, me apavorava.
Não bastasse os problemas que eu já deveria enfrentar, minha saúde se deteriorando, sem que eu entendesse porque, minha ansiedade atacando, e confiança se esvaindo, agora eu via escorrendo pelas minhas mãos a oportunidade de construir algo diferente de tudo que eu já tivesse vivido.
Mas eu temi tanto, tanto, que não deixei demonstrar a melhor versão de mim, a minha força e ternura antagônicas, misturadas e indissolúveis.
Um jovem assustado, uma criança eu retornei, apavorado demais para agir e colocar tudo em risco, meu erro foi tentar segurar o que deveria ser livre.
Quando percebi, já era tarde demais, quando quis agir, acabou.
Não sei o que me resta. A linha entre a insistência e a persistência pelo que queremos é muito tênue, em especial quando ela parece acontecer em apenas um sentido.
Eu não acredito que todos somos substituíveis, em especial alguém como você.
Quero estar ao seu lado, para o que der e vier, independente do que a gente é ou possa ser.
Me pergunto se a gente tivesse começado hoje.
Se você não tivesse tirado os pés no chão e se deslumbrado com um mundo de ilusão.
Se eu não tivesse pulado de cabeça e entrado tão fundo na sua vida.
Se eu não tivesse me desesperado de um jeito tão profundo.
Se tudo não tivesse acontecido tão rápido.
Me pergunto, e se a gente tivesse começado hoje?
Vão Saber
Falta do que fazer e uma cabeça que não pára. Vão saber o que passa na minha cabeça.
domingo, 29 de setembro de 2019
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Nas mãos de Deus
Deitado sobre as mãos de Deus sinto-me mais seguro.
Aqui a morte não me assusta e o mundo parece tão menor.
O afago de Deus aquece minha existência, minha alma se alegra e meu corpo treme.
Lugares por onde eu não passei, pessoas que não conheci, e ainda não é tarde, tarde demais.
O sol nasceu e a cada renascer, a minha vida se renova.
Me preocupo com o que não deveria, e meu peito dói. Como o de um pássaro sem asas que salta, temendo os lugares que vai passar.
Não me espere amanhã, eu não vou voltar, aqui nas mãos de Deus é o meu lugar.
domingo, 28 de agosto de 2011
Dor
Se você sente dor, é porque existe algo ameaçando a sua integridade. Quando você se aproxima do fogo, a pele arde, você sente dor. O cérebro lhe envia sinais, de dor, para que você possa resolver a questão antes que aquilo lhe mate.
A solidão é um tipo de dor, por que ela só se sacia quando se está próximo de alguém, ou algo semelhante a isto. A ausência de socialização é nociva a nossa sanidade, foram feitas experiências com macacos criados desde o nascimento em isolamento total, e eles desenvolveram todo tipo de escleroses e neuras. Um deles, inclusive, passava o tempo mordendo os dedos do pé, para ser receptivo de algum tipo de sinal.
O que acontece, pergunto eu, quando a solidão não se sacia com a presença dos outros e umas boas risadas? Que tipo de sentimento é esse, que se sacia em momentos, mas volta quando estamos longe.
Observando as pessoas, me deparei com uma realidade, o sentimento de solidão não se limita apenas a criar vínculos entre os seres humanos, as pessoas em geral, ou grande maioria são fanáticas por alguma coisa.Algumas pela bebida, outras por suas profissões, pela arte, por outras pessoas, sejam elas artistas e modelos, ou um namorado. A falta disso torna a vida sem sentido.
Qual a origem dessa dependência? Qual a necessidade de dar uma razão a nossas vidas, mesmo que essa razão esteja travestida de diversão?
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Escrevendo com o coração
Eu percebi que as vezes a gente fica esperando inspiração, quando no final das contas a gente não precisa dela. Só temos que começar e deixar as coisas correrem.
A vida não se resume fácil assim, não dá para usar a borracha ou corretivo, a vida não é o tipo de coisa que você conserta escrevendo por cima, ou rabiscando e deixando para trás. Tudo permanece, como tudo que ainda vai vir, tudo é tão permanente, nada muda, o que você fez vai ficar feito, e o legado parece ser a coisa mais importante na vida de um homem. E eu me pergunto, o que é importante para mim?
Não quero magoar as pessoas, e em geral, tudo que faço demonstra o contrário, e eu queria entender porque! Por que quando eu dou uma de esperto, faço exatamente o oposto de quem eu sou na realidade. Pode ser que eu seja mesmo um bobo, que acredita em sentimentos, e não demonstra quando deveria, pelo simples medo do que vai ficar marcado.
O orgulho é uma bosta. Formigas são felizes de verdade, porque entendem o seu tamanho, e tratam o todo como mais importante.
Será que é melhor fazer o que queremos, passando por cima de pessoas e lembranças. Ou é melhor nos humilharmos, seguirmos os ensinamentos religiosos e cuidarmos uns dos outros?
Uma vez me disseram que não existe meio termo, ou se é bom, ou se é mau.
Mas eu sei que não é verdade, porque a gente vive a vida com momentos, eles montam o mosaico da sua vida, e você pode deixá-lo bom ou mau. Só não pode deixá-lo em branco.
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