domingo, 29 de setembro de 2019

Carta

Escrevo essa carta, que talvez você nunca vá ler, porque eu tenho tanto para ser dito, mas não posso te obrigar a ouvir.
Mas é que hoje, de novo e de novo, me pego pensando em você, e não posso evitar de pensar em como as coisas poderiam ser diferentes.
Acho que apressamos tudo, nos sentíamos sensíveis e inseguros, cada um ao seu modo, e ao que estava prestes a vivenciar.
Uma fase importante da minha vida termina, e na sua, estava prestes a começar.

Acho que corremos porque sabíamos que tinha algo importante acontecendo ali e temíamos perder.
Na sua frente, um mundo, totalmente novo, e decidir enfrentá-lo e vivê-lo significou se afastar de mim, mas aquela que se afastou não voltou mais. Tudo ficou diferente. O mundo já não era mais o mesmo, as coisas que ficaram para trás já não era mais tão importantes, e a liberdade, e o desapego se tornaram valiosas demais para serem questionadas.
Talvez por culpa, você se afastou.
Enquanto eu, me apavorava.
Não bastasse os problemas que eu já deveria enfrentar, minha saúde se deteriorando, sem que eu entendesse porque, minha ansiedade atacando, e confiança se esvaindo, agora eu via escorrendo pelas minhas mãos a oportunidade de construir algo diferente de tudo que eu já tivesse vivido.
Mas eu temi tanto, tanto, que não deixei demonstrar a melhor versão de mim, a minha força e ternura antagônicas, misturadas e indissolúveis.
Um jovem assustado, uma criança eu retornei, apavorado demais para agir e colocar tudo em risco, meu erro foi tentar segurar o que deveria ser livre.
Quando percebi, já era tarde demais, quando quis agir, acabou.
Não sei o que me resta. A linha entre a insistência e a persistência pelo que queremos é muito tênue, em especial quando ela parece acontecer em apenas um sentido.
Eu não acredito que todos somos substituíveis, em especial alguém como você.
Quero estar ao seu lado, para o que der e vier, independente do que a gente é ou possa ser.

Me pergunto se a gente tivesse começado hoje.
Se você não tivesse tirado os pés no chão e se deslumbrado com um mundo de ilusão.
Se eu não tivesse pulado de cabeça e entrado tão fundo na sua vida.
Se eu não tivesse me desesperado de um jeito tão profundo.
Se tudo não tivesse acontecido tão rápido.

Me pergunto, e se a gente tivesse começado hoje?

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